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2021

1 1 1 : sento e onze

Em memória aos 111 anos da insurreição conhecida por “Revolta da Chibata”, liderada pelos marinheiros João Cândido Felisberto (ao centro), André Avelino (à esquerda) e Manuel Gregório do Nascimento (à direita), nasce o projeto “111: sento e onze”, uma intervenção artística em lambe-lambe (cartaz) aplicada no chão da Praça Marechal Âncora. 

 

A grafia, propositalmente trocada, desconstrói o significado do “cento” (noventa mais dez) para “sento”, convidando a sociedade a refletir sobre a própria revolta e a nossa condição de sentarmos, passarmos por cima e invisibilizarmos nossa memória histórica e negra ao longo dos séculos.

A obra, com dimensões aproximadas de 9 x 11 metros, traz os 3 personagens centrais em posição de sentido, substituindo imageticamente o número 111 e contextualmente o local onde João Cândido posteriormente sobreviveu carregando cestos de peixe dos barcos de pesca para o entreposto da Praça XV.

"Glória a todas as lutas inglórias / Que através da nossa história não esquecemos jamais / Salve o navegante negro / Que tem por monumento as pedras pisadas do cais"

Foto por Cohci Guimarães da obra 111 de Alberto Pereira, em homenagem a João Cândido e a Revolta da Chibata

Foto: Cochi Guimarães

Colado no dia dos 52 anos de morte do João Cândido, 1 mês depois recebi Seu Candinho, filho de João Cândido para acompanhar a remoção. Hoje a Praça Marechal Âncora abriga uma nova estátua de João Cândido Felisberto, com seu devido destaque naquele local.

 

Importante reforçar que, até hoje, a Marinha do Brasil oficialmente não considera João Cândido um herói nacional, vendo a Revolta da Chibata como um "opróbrio" e defendendo que os revoltosos buscaram vantagens corporativistas, não apenas o fim dos castigos, o que gera polêmica e resistência, com o MPF e o Congresso debatendo a inclusão do "Almirante Negro" no Livro dos Heróis, enquanto a Marinha argumenta contra, alegando que enaltecer a revolta envia uma mensagem errada. 

Este trabalho demorou 3 anos para acontecer. 6 meses para ser planejado e esperar as devidas autorizações da Prefeitura do Rio de Janeiro e do IPHAN e um dia com 88% de probabilidade de chuva para ser executado. O trabalho real mesmo ainda está sendo feito - há mais de 400 anos.

Ficha Técninca:

 

Assistentes:
@bxdlambe - Pietra Canle (@pcanle), Silas Sena (@s.a.l.l.i.s)


Produção Gráfica:
Raul Zito (@zito.raul), Atila Fragoso (@atilafc)
Birico Arte - @birico.arte


Drone: Cochi Guimarães (@cochiguimaraes)  |  Foto Still: Gabriela Azevedo (@g4bisa)


Agenciamento e Produção: 
Aborda (@aborda.arte)

 

Apoio
Coordenadoria Executiva de Promoção da Igualdade Racial do Rio de Janeiro (@cepir.rio)
Secretaria Municipal de Governo e Integridade Pública (@segovi.rio)


Agradecimentos especiais:
Renato Rangel (@renato.rangel)
Raul Zito 
Julia Millen 
Manya Millen
Carlos Eduardo Miranda

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