
Pele de Rua
A pele de rua é o relevo da cidade. Descamação urbana. Caso, descaso e casamento. O papel reutilizado é a pele. O papel é a pele. Pele de rua.
Alberto Pereira tem como trabalho principal a colagem. Explorando esta linguagem digital e física para composição de seus trabalhos, buscando esmiuçar os sentidos tradicionais atribuídos às imagens, seus significados, simbolismos e valores, criando obras múltiplas que questionam e subvertem seus sentidos originais, atribuindo às imagens novas poéticas e configurações.
“Pele de Rua”, pesquisa que parte da investigação da rua como corpo estético a ser elaborado e evidenciado, dada as particularidades da rua como estrutura física e de funcionamento orgânico constituinte da cidade, como um organismo vivo provocado pela ocupação e intervenção humana. Pereira em seu processo de pesquisa armazena diferentes sobras de papéis oriundos de seus trabalhos de intervenção urbana com o lambe-lambe, coletando e armazenando também outros papéis disponíveis pela cidade, seja de outros lambes e cartazes descolados da parede, objetos, itens descartados e embalagens.
Com os papéis coletados o artista os recicla por um processo artesanal de reaproveitamento, resultando em papéis de texturas e cores variadas, construindo uma sutura do que seria a “pele” da rua. As diferentes “peles” podem ser utilizadas em recortes e combinadas ou não com outras técnicas, para realização de obras artísticas em suportes variados, como em telas, resultando em composições diversas.
Aline Moraes



15 x 15 cm Papéis reciclados e reutilizados de sobra de lambe-lambe, acrílica e spray

15 x 15 cm Papéis reciclados e reutilizados de sobra de lambe-lambe, acrílica e spray

aprox 13,5 x 19,5 cm Técnica mista. Caixas de fósforo, papéis reciclados e reutilizados de sobra de lambe-lambe e compensado

15 x 15 cm Papéis reciclados e reutilizados de sobra de lambe-lambe, acrílica e spray

Cacarecos / 1 ao 26
12 x 20 cm
Assemblages em saco zip lock
Parte da série Pele de Rua, ao todo serão 50.
São recibos, sobras, papéis, rótulos e pequenos objetos que me atraem graficamente. Me fazem descansar o pensamento também e caminhar dentro de mim pra outro lugar.
Peles da rua que recebo, coleto, me encontram ou eu encontro no meio do caminho. Muitos acabo usando em colagens também, então fica nessa dança do digital pro analógico e vice-versa.
São memórias, dos casos e das coisas. Colagens móveis que se modificam dentro do recipiente, imprevisíveis como a rua. Você já percebeu a quantidade de peles que a rua solta?
A pele de rua é um pedaço na geografia do tempo.
